quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Desfecho prematuro
Fim da 33a rodada, e o longuíssimo Campeonato Brasileiro se aproxima do final. Depois de 330 jogos disputados, estamos chegando à melhor parte da competição. Aquela recheada de jogos decisivos, cheios de emoção, festa, drama, dor... A torcida, que durante esses 6 meses de campeonato muitas vezes esteve afastada, distante e mais preocupada com o desfecho da novela das 8, agora volta atenção total ao Brasileirão. Veremos arquibancadas cheias por todo o país, que irá parar para acompanhar o desfecho da competição. Mas calma aí, diferente do final de Avenida Brasil, onde só soubemos quem matou o Max no último capítulo, o desfecho desse Campeonato Brasileiro parece decidido, mesmo a cinco rodadas do fim.O Fluminense, embora não seja matematicamente confirmado, será campeão brasileiro.
Nesse ano de 2012, o Campeonato Brasileiro comemora sua décima edição por pontos corridos, formato que parece cada vez mais consolidado. Competições desorganizadas e com fórmulas mirabolantes são hoje coisa do passado. Os clubes hoje podem planejar seu ano com maior clareza, o torcedor pode fazer seu pacote de sócio-torcedor para obter ingressos para toda a temporada. Tudo isso sem surpresas desagradáveis. O futebol brasileiro hoje é muito mais forte, organizado e transparente. O êxodo de jogadores que ocorria anualmente de forma impressionante parece ter sido controlado e hoje, embora ainda não tenhamos o poderia econômico dos ingleses, espanhóis e italianos, podemos ver um campeonato com craques jovens e veteranos. Neymar, Ronaldinho, Deco, Seedorf, Juninho, Luís Fabiano, Ganso, Fred, Vagner Love, Fórlan, Kleber Gladiador, Montillo, Valdívia, Lucas, Leandro Damião... Não são poucos os jogadores de primeira linha que hoje desfilam seu talento no futebol brasileiro. Mas mesmo assim, olhamos para as arquibancadas e as vemos vazia na grande maioria das partidas.
Ingressos caros, violência, proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, dificuldade de acesso, meios de transporte deficientes, partidas em horários ruins... Enfim, são diversas as razões que afastam nosso torcedor das arquibancadas. Mas exceto a questão do consumo de álcool nos estádios, todas as outras já existiam a 20, 30 anos atrás, quando qualquer clássico meia boca, botava 50 mil pessoas no Maracanã. O que aconteceu então? Seria incoerente colocar a culpa no campeonato por pontos corridos, afinal as médias de público nesses últimos dez anos são muito semelhantes as dos dez anos anteriores quando o campeonato ainda não era disputado nesse formato. Entretanto era de se esperar que, com um maior nível de organização e com um maior número de jogadores de destaque atuando por aqui, as arquibancadas andassem mais cheias. Mas como encher estádios em um campeonato que se estende por 38 rodadas e há cinco rodadas do final já temos definidos o campeão brasileiro e todas as vagas para a Libertadores do próximo ano?
Não pretendo aqui detonar o formato do Campeonato Brasileiro por pontos corridos, até porque o nosso futebol teve importantes conquistas na última década, mas fica muito evidente que, embora esse formato seja o mais justo, em muitas oportunidades ele se torna desinteressantes bem antes da última rodada. Falando em números, essa será a quarta vez desde 2003 que o título será decidido antecipadamente, ou seja, em 40% das vezes que o campeonato foi disputado em pontos corridos chegamos na última rodada com o campeão já definido (Cruzeiro em 2003, São Paulo em 2006 e 2007 e agora o Fluminense de 2012). Em uma época onde discutimos tanto como atrair o torcedor para o estádio, não podemos nos dar ao luxo de perdermos o interesse do espectador logo no momento mais esperado da competição. Temos que encontrar meios de manter o interesse do consumidor desse produto até o último suspiro do último jogo da última rodada. E como fazer isso? O caminho passa obrigatoriamente por repensar esse modelo... Não podemos perder essa oportunidade...
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Excelente!!!!
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