terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Queda do Império Adriano


Bastaram 75 dias para o Imperador Adriano terminar de maneira melancólica sua terceira passagem pelo Flamengo. Através de um comunicado a imprensa emitido nessa segunda-feira, o atacante se despediu do clube, antecipando uma decisão que já havia sido tomada pela diretoria desde a última sexta-feira. Depois de uma passagem sem gols pela Roma e outra onde marcou apenas 2 gols pelo Corinthians, o herói do hexa flamenguista em 2009 parece ter se superado dessa vez. Em pouco mais de 2 meses de Flamengo, Adriano não entrou em campo sequer uma vez e como era de se esperar, fora do campo manteve sua rotina de polêmicas, indisciplina e desrespeito com seus companheiros, torcedores e principalmente com sua própria história na Gávea.

A verdade é que falar sobre o histórico do Imperador fora das quatro linhas tornou-se lugar comum. Seu péssimo comportamento não é novidade para ninguém, mas ainda assim, existia uma expectativa que os ares do Flamengo, o carinho dos torcedores e a proximidade de familiares e amigos no Rio pudesse ajuda-lo nesse processo de recuperação. A presidente Patrícia Amorim, pressionada pelos maus resultado do time no ano, resolveu fazer essa aposta. A esperança do atacante voltar aos seus melhores dias na Gávea, um factóide criado pela própria diretoria rubro-negra justificou a contratação. O status de ídolo que Adriano ainda gozava com grande parcela dos torcedores foi crucial no processo. Fato é que ninguém de boa fé e em sã consciência, que pensasse com o mínimo de razão podia acreditar no sucesso dessa aposta. A tragédia era anunciada.

Quando foi craque, artilheiro e herói do título rubro-negro de 2009, Adriano, que já vivia processo de precoce decadência, conseguiu surpreendentemente compensar dentro do campo, as dores de cabeça que dava fora dele desde os seus dias de Inter de Milão. Para isso ser possível, a medida que seu futebol correspondia as expectativas da torcida, Adriano contava com a benevolência da então diretoria flamenguista que encobria sistematicamente seus deslizes fora dele, que incluiam faltas e atrasos nos treinamentos, noitadas varando a madrugada, brigas públicas com a então noiva e até relações mal explicadas com traficantes de drogas. Valeu à pena? No curto prazo sim, afinal o Flamengo quebrou um jejum de 17 anos e voltou a conquistar o título nacional. Entretanto, a atitude conivente dos dirigentes acabou legitimando a conduta cada vez menos profissional do atacante. O Imperador estava acima do bem e do mal e sentindo-se ainda mais a vontade para agir da maneira que bem entendesse. Daí para frente movido por uma prepotência incomensurável, Adriano não se enquadrou em nenhum projeto, não aceitou se submeter a hierarquia de clube algum e insistiu em justificar tudo sob uma ótica de "favelado perseguido". Pura balela...

Agora, prestes a fazer 31 anos, sem jogar bem há 3 anos, frequentando mais as páginas de fofoca e até as policias que os cadernos de esporte dos jornais, Adriano vai precisar recomeçar mais uma vez. Mas com seu histórico, quem terá coragem de dar uma nova oportunidade para ele? Como acreditar nas boas intenções de um jogador que saiu pelas portas dos fundos de todos os clubes que passou nos últimos anos? Me parece improvável que alguma equipe de ponta, tanto no Brasil como no exterior, invista nesse projeto. É uma aposta arriscada demais e com o retorno cada vez menor.. Eu não apostaria nem um centavo. 


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