sexta-feira, 29 de outubro de 2010
El tango de D10S
Muito se falou no último final de semana do aniversário de 70 de Pelé, mas poucas pessoas sabem que amanhã, dia 30 de outubro, outro gênio do futebol está aniversariando: Don Diego Armando Maradona completa meio século de vida.
Alguém pode perguntar: Por que escrever sobre os 50 de Maradona e não sobre os 70 de Pelé? Não pretendo entrar no infrutífero debate de quem foi melhor... Não vejo a menor utilidade nisso... São gênios de estilos diferentes e épocas diferentes... A minha escolha se deu por dois motivos: Em primeiro lugar, eu vi Maradona jogar e não vi Pelé; Em segundo lugar, a verdade é que não há como se negar que como personagem, o Pibe é muito mais interessante e fascinante que o “Atleta do Século”.
Costumo dizer que se um dia, um desavisado que não conhecesse a história de Maradona, visse um filme sobre sua vida ficaria até a última cena sem saber se o protagonista é vilão ou mocinho. Diego é daqueles personagens que nunca passa despercebido. Não há como se ficar indiferente a ele. Ele sempre despertou paixões com a mesma facilidade que desperta ódio. Drogado, arrogante, arruaceiro, trapaceiro, auto-destutivo... A polêmica sempre marcou a carreira do Pibe com a mesma intensidade que o talento assombroso que destroçava as defesas adversárias. Diego não é um exemplo como homem, como atleta, como pai, mas ainda assim ele tem uma enorme legião de fãs não só na Argentina como em todo o mundo. A paixão de seus fãs por ele é sem precedentes na história do futebol... A relação de fanatismo que envolve Maradona é única... Mas por que isso? O que ele tem de diferente? A resposta é simples: Maradona é humano...
Chamado de D10S na Argentina, Diego talvez seja, dentre os deuses do futebol, aquele que mais se aproxima dos meros mortais. A intensidade que se dedicou a tudo em sua vida, tanto as coisas boas quanto as coisas ruins, fez com que as pessoas se identificassem com ele. A cada vibração exacerbada após um gol, a cada briga em campo, cada vez que se utilizou de estratégias ilícitas em campo, a cada internação em uma clínica de desintoxicação, a cada um desses momentos, Maradona mostrava um lado humano que poucas vezes os ídolos mostram. Maradona é autêntico, é genuíno, é passional... Como não poderia deixar de ser, sua vida poderia ser resumida em um tango... Nada mais dramático, nada mais intenso, nada mais argentino, nada mais Maradona...
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Soy loco por ti America
Na tarde desta segunda-feira, 18 de outubro, dirigentes da Conmebol (instituição de “alto” gabarito do futebol sulamericano) se reuniram e julgaram o pedido da CBF para que voltasse a vaga brasileira na principal competição do continente. Após o absurdo de tentarem maquiar o atual cenário dominado pelos clubes brasileiros, diminuindo de 4 para 3 o numero de times classificados via Campeonato Brasileiro, Ricardo Teixeira e sua trupe, por alguma luz divina, entraram com um pedido formal contra a medida e conseguiram reaver o que era de direito do Brasil.
Não é de hoje que essa instituição, que se diz representante do futebol sulamericano, tem por hábito prejudicar nossos clubes. Milhares de irregularidades já foram vistas, juízes de má fé, estádios caquéticos continente adentro e o principal, a falta de punição...ou melhor, o simples pagamento de míseros US$100,00 para cada cartão amarelo...ridículo. Só pra constar o quanto o futebol brasileiro é “bem visto” por seus dirigentes, olhem a notícia do site deles sobre nosso campeonato, tirada hoje (19/10/2010). Só pode ser brincadeira isso.
Agora começam as minhas indagações: por que a Dona Conmebol, presidida por um paraguaio, com um vice-presidente uruguaio e aliada do presidente da AFA (Federação Argentina de Futebol) teve a brilhante idéia de tirar uma vaga do país campeão para não inchar a competição com times do mesmo país, justamente no ano em que um brasileiro ganhou? Por que na época áurea do Boca, por exemplo, no início desse século, quando o time ganhou 4 vezes a competição, essa regra não foi imposta? E a pergunta que mais fica sem resposta, por que Seu Ricardo Teixeira, amigo pessoal de Joseph Blatter, com grande influência no futebol mundial, inclusive cotado por alguns para ser um futuro presidente da FIFA, demorou tanto pra se mexer, ou melhor, deixou isso acontecer?
Simplesmente mudaram o regulamento do campeonato brasileiro 2 vezes, de várias maneiras influenciaram na preparação e planejamento dos clubes, que agora, voltam a ter uma chance de disputar a competição mais desejada das Américas. OK, o final foi feliz, por um lado sim, mas por outro lado vimos que além de vencer o campeonato nacional, os times brasileiros têm que vencer a incompetência da Conmebol, com suas pedradas vindas das arquibancadas, e a sempre “disposta” e “proativa” CBF. Será que é tão difícil investir nos clubes, no campeonato e na organização? Pergunta pra confederação de vôlei, ela deve ter uma resposta ótima pra isso.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
PItacos da 28ª Rodada
Após um tempo sem nenhum post novo, o Encontro No Bellini volta pra discutir a próxima rodada dos times cariocas e palpitar, por que não!? E assim, nesse clima de volta as aulas e de diferentes momentos no futebol do Rio, vamos torcer, mas antes de tudo analisar o que vem por aí.
FLUMINENSE x Santos: O tricolor entra em campo como líder do campeonato, mesmo após o vacilo contra o Prudente (confesso que escrevi Barueri) no sábado, porém cheio de desfalques. O time não contará com Deco (machucado), Mariano (com a seleção), Emerson (ainda no departamento médico). Mas nem tudo é só tristeza, Fred e Diguinho (quem diria que este último faria falta) estão de volta e a disposição de Muricy. A dúvida passa ser a escalação de Fred, só não se sabe se ao lado de Washington, no lugar dele ou no banco. Acredito que comece na reserva. Mas o que mais acalma o torcedor é a presença de Conca, salvador tricolor; e como o jogo é no Engenhão, aposto que o Flu ganha por 2x1, pois essa zaga ta adorando tomar gols bobos.
BOTAFOGO x Guarani: Se o departamento médico do Glorioso já estava cheio, agora ganhou mais um “reforço”, Fabio Ferreira está fora do restante do campeonato, assim como Maicosuel. Com isso, o total de desfalques para o time de Joel Santana sobe para 6 jogadores, ou seja, a garra e a dedicação do elenco terá que ser redobrada. Não que isso seja problema para um time que usa da determinação como sua principal arma para se manter vivo na briga por uma vaga no G-3, ou G-4 (depende da “competência” da CBF e da CONMEBOL, ou seja...). O adversário papou todos os cariocas dentro de Campinas, mas por outro lado o Fogão não perdeu pra nenhum paulista no campeonato...Boa!!! Promessa de jogo duro, mas ainda assim acho o Botafogo ligeiramente superior. Meu palpite é de 1x0 com gol de El Loco Abreu.
VASCO x Atlético-PR: Jogar na Arena da Baixada nunca foi fácil, ainda mais contra o atual quinto colocado do campeonato. Por mais que o Gigante da Colina venha de dois resultados positivos, o Furacão que se encontra num momento de marola devido a saída de seu ex-técnico Carpegiani, é um adversário perigosíssimo, com padrão de jogo e em franca ascensão no campeonato. Porém, vale lembrar que Nilton só volta ano que vem e o Titi nem viajou com a delegação, ou seja, a probabilidade do Vasco entregar o jogo em algum momento cai consideravelmente. Um empate, dessa vez, não seria um mal resultado. Vou cravar 1x1.
FLAMENGO x Atlético-GO: Jogo perigosíssimo pro rubro-negro. Além de ser um jogo de 6 pontos, o atual momento político do clube conturbou de vez o ambiente na Gávea. A saída de Zico provocou um descontentamento muito grande na torcida, e a chegada de Luxemburgo parece ainda não tranqüilizar a nação, que vê o time se afundar rodada após rodada em inúmeros empates. Dos últimos 12 jogos, só em um o time saiu vencedor. O adversário, ao contrário, encontra-se num momento de recuperação, mas ainda assim não é melhor que o elenco do Flamengo, e por se tratar de um jogo em casa, o time tem mais do que obrigação de vencer, se quiser disputar a série A em 2011. Acredito numa superação rubro-negra, ainda não nesse jogo; mas em contrapartida sabemos que jogador derruba técnico (né, Silas!), logo, o palpite se torna difícil, por isso vou deixar no 1x1.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Meu Inesquecível Maraca

Todos tivemos inúmeras alegrias, seja na antiga arquibancada de cimento, seja na geral ou nas cadeiras que lá foram instaladas. E na tentativa de aqui deixar uma singela homenagem, estamos abrindo o espaço para que cada um deixe sua maior recordação no estádio.
Como freqüentador desde o inicio dos anos 90, guardo em minha lembrança jogos memoráveis do Vasco, principalmente no fim da década, como os Brasileiros de 97 e 2000 e o Rio-São Paulo de 99. Tenho dentro de mim também a imagem de um Fla-Flu onde o Roger quase meteu um golaço do meio-campo, após o Baixinho ter feito um golaço de voleio, sem falar no Botafogo de 95 com o inspiradíssimo Túlio Maravilha. Porém o jogo que mais me marcou, sem dúvidas foi o Brasil x Uruguai de 93.
Lembro de ter ido com meu pai ao jogo, e no caminho iam se juntando a nós milhares e milhares de pessoas com a camisa do Brasil. De certa forma era a primeira vez que via nossa seleção jogar ao vivo, e mais do que isso, era a primeira vez que via o jogador que mais me marcou até hoje, Romário. Quando soube que seria um dos privilegiados daquela tarde, nos dias anteriores, já alimentado por esse “vício” chamado futebol, lia e relia todo e qualquer jornal que aparecesse com notícias sobre o Brasil. Aprendi com meus 10 anos a época, que o povo cobrava mesmo quando o assunto era seleção, e que Romário era “o cara”.
Chegando ao estádio me deparei com uma massa verde-amarela, que mais do que Brasil, aguardava pelo seu “salvador da pátria”. Também pudera, o Baixinho infernizou a zaga uruguaia, atropelou tudo e a todos, marcou 2 belos gols, o segundo inclusive deixou todo o Urugaui torto como o goleiro e garantiu não só o lugar na Copa de 94, como também o título no ano seguinte. Um detalhe fundamental de minha lembrança, ao marcar o primeiro gol, Romário correu na direção em que eu estava. Surgia ali o meu maior ídolo do futebol (vale lembrar que não acompanhei Pelé e Zico, mas sei de tudo que fizeram). Um 2x0 que lavou a alma (que mané Maracanazo), tirou a tensão de ficar fora de uma Copa e encheu de esperança a nação do futebol.
Foi assim, que dentre várias emoções, recordo de minha maior, talvez a mais marcante, pois se tratava de um menino que descobria ali o verdadeiro amor pelo futebol brasileiro, no Maior do Mundo. E você, qual o seu inesquecível Maraca?
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Bola que Rola
Vasco x Cruzeiro (1x1): PC, com todo o respeito, faz que nem um grande vascaíno amigo meu falou e leva o Fernando pra sua casa. Que isso, o cara errou tudo e mais um pouco no jogo de sábado, que, diga-se de passagem, só mostrou mais uma vez que o Gigante da Colina precisa de um homem de referência, ou ao menos um zagueiro que não erre tanto. E pior que no final ele ainda poderia ter saído como herói quase marcando o gol da vitória, mas acabou fazendo o mais esperado...errou. Mas segue a torcida por mais um carioca no G4 ou G6.
Fla x Guarani (1x2): Será que temos mesmo que falar sobre esse jogo? Flamengo tinha tudo pra ganhar, 1x0 no placar, pênalti defendido pelo bom goleiro Marcelo Lomba, diversas chances de ampliar, apesar de quem estar na frente ser o Val Baiano (a saga dos Baianos da Gávea, ou se esqueceram de Fernando Baiano, Jr Baiano, Fabio Baiano) e no final, nos acréscimos, leva 2 gols. Silas, se prepara que o negócio ta feio pelos lados do Urubu...cuidado pra não virar mais uma carniça.
Flu x São Paulo (2x2): Washington, faz o seguinte, pega a bola, vira pro Conca e fala “Bate que eu não sei fazer isso.”. Po cara, todo jogo do Fluminense que eu lembro dele batendo pênalti, ele perde. Foi assim inclusive na final da Libertadores de 2008, mas apesar dos pesares, gosto dele. Fora isso, o tricolor carioca foi superior na partida. Deco e Conca estão cada vez mais entrosados, Belleti foi devidamente sacado e tenho certeza que se o patrocinador das Laranjeiras olhasse um pouquinho melhor pro time, já teria gasto seus milhões em um goleiro...Fernando Henrique não dá! Mas mesmo assim ainda líder.
Craque: Destaque do final de semana de futebol, pelo menos dos jogos que vi: Ronaldinho Gaucho. Jogando solto, exibindo sua técnica de forma objetiva e coletiva, fazendo sua graça pra encantar a torcida, ele comandou a goleada do Milan sobre o Lecce por 4x0 no San Siro. Além disso, deixou os companheiros na cara do gol em diversos lances. Pato agradeceu, meteu 2 gols, o outro brasileiro, Thiago Silva, marcou um e o goleador italiano (não joga nada, mas mete gol) Inzaghi fechou o placar. Ronaldinho Gaucho tem vaga em qualquer time do mundo... Ouviu Mano? Detalhe, Ibrahimovic que assistiu ao jogo das tribunas, certamente já está se vendo artilheiro do Campeonato Italiano com as diversas assistências que receberá de Ronaldinho. Segura o Milan nessa temporada.
Segue o vídeo dos melhores momentos.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Jogador de antigamente?
Volta e meia estou no metrô, correndo na praia, almoçando, vendo um filme, ou fazendo qualquer outra coisa e fico pensando nas coisas mais variadas da vida. Política, música, meu trabalho, as boas do final de semana... São diversos assuntos, mas nenhuma ocupa tanto meu tempo quanto futebol. O futebol está nas minhas veias, é algo tão natural quanto respirar... Não vivo sem futebol... Pode ser a 1ª divisão do Brasileirão, a Premier League, a Lega Cálcio, La Liga, Champions League, Copa do Mundo... Pode até ser a Segundona do Carioca... Preciso de futebol... Vivo futebol...
Quando assisto a uma partida, não sou aquela pessoa que simplesmente observa o jogo, torce e depois dela a vida volta ao normal. Passo horas, as vezes dias refletindo sobre cada detalhe, analisando cada fator, projetando o futuro e muitas vezes voltando ao passado... Nessas últimas semanas, influenciado pela bela seqüência de vitórias do Botafogo no Campeonato Brasileiro, cheguei a um questionamento: Será que ainda existe espaço para jogadores como Lúcio Flávio?
Depois de quase 5 anos ininterruptos, 218 jogos e 63 gols com a camisa do Botafogo, Lúcio Flávio já viveu de tudo em General Severiano. Jogador técnico, dono de um bom passe, ótima visão de jogo e bom poder de fogo de fora e dentro da área, Lúcio caiu nas graças da torcida logo que chegou ao clube. Chamado de maestro, o camisa 10 se tornou uma referência não só dentro de campo como fora dele. Sujeito articulado, de boa índole e um profissional exemplar, Lúcio sempre foi jogador de confiança de todos os treinadores que passaram pelo Botafogo nesse período e o atleta preferido de dirigentes...
Acontece que a relação com a torcida desgastou e parece que a pilha do meia acabou... Embora ainda seja relativamente jovem (31 anos), Lúcio parece a cada dia que passa que tem mais dificuldade de acompanhar o ritmo alucinante do futebol de hoje. Falta espaço em campo para ele organizar as jogadas, falta velocidade para ele puxar os contra-ataques, falta força para fazer uma marcação eficiente na defesa. A torcida não perdoa... O antigo ídolo passou a ser o mais perseguido nos jogos no Engenhão, sendo vaiado antes mesmo da bola rolar em jogos onde ele apenas figura entre os suplentes.
A seqüência de 5 vitórias do atual Botafogo apenas corrobora uma teoria de que talvez não haja mais espaço para jogadores como Lúcio Flávio. Isso porque essa seqüência coincide exatamente com o momento que Lúcio perdeu sua posição no meio de campo para o velocíssimo Maicosuel. Ao lado do endiabrado Jobson, Maicosuel mudou completamente o ritmo do ataque alvinegro, que se tornou muito mais envolvente contra defensores geralmente mais lentos.
Uma vez assisti um debate que tinha como tema se Gérson, o Canhotinha de Ouro conseguiria jogar no futebol de hoje. Gérson jogava como organizador do jogo no meio de campo, por ele passavam quase todas as bolas. Seus lançamentos de até 50 metros eram primorosos, suas cobranças de falta precisas. Foi um dos maiores jogadores de meio de campo da história do futebol brasileiro, mas nunca primou por seu preparo físico, não era um driblador nato nem um jogador veloz. Observando alguns lances do canhota na Copa de 1970, nota-se claramente que ele dispunha de espaço para jogar, que hoje em dia não existe mais.
Não pretendo de maneira alguma comparar Gérson e Lúcio Flávio como jogadores, até porque acho isso totalmente desnecessário. O que para mim é claro, é que Lúcio Flávio segue o mesmo estilo que consagrou o Canhotinha de Ouro, mas ele não tem espaço para jogar em um futebol que cada dia é mais físico. Gérson jogaria hoje? Essa pergunta é impossível de se responder, mas é óbvio que ele precisaria se adaptar ao estilo de jogo dos dias de hoje. Precisaria marcar, precisaria pensar menos antes de executar suas jogadas, precisaria aprender a jogar em um espaço mais escasso de campo. Se ele conseguiria, isso é uma incógnita.
Então cabe a uma última pergunta, e o Lúcio Flávio, jogaria nos anos 50 e 60? Provavelmente não fosse um Didi ou um Gérson, mas certamente seria um jogador de bem mais destaque que nos dias de hoje...
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Vencer ou não Perder, Eis a Questão.

Até que ponto o futebol é a busca pelo gol? Seria errado um time entrar em campo única e exclusivamente para não tomar gols?
É comum, principalmente no Brasil, criticarmos esquemas fechados, retranqueiros, em que o maior objetivo é não sair de campo derrotado. Numa cultura onde a busca pela vitória passa pelo desejo de atacar, o futebol arte e acima de tudo a busca incessante pelo gol, a tática defensiva, privilegiando a marcação, não agrada e ainda levanta muita polêmica.
Mas seria isso errado? Estariam esses times confrontando o que se entende de futebol, e até evidenciando uma espécie de anti-jogo? É um assunto polêmico, mas que vale a pena ser analisado.
Na história do futebol, encontramos diversos times e seleções que venceram se utilizando dessa tática defensiva ao extremo, onde o mais importante era não deixar o adversário chegar a sua meta, independentemente da necessidade de vencer. Destacamos a escola italiana, nada mais nada menos do que 4 vezes campeã mundial, além de ter apresentado ao mundo diversas equipes vencedoras, como Milan, Inter e Juventus, todas sempre caracterizadas pela forte marcação. A escola alemã também tem essa característica, mesmo sendo uma das que mais produziu artilheiros de Copa, como Gerd Müller e Miroslav Klose (ambos com 14 gols marcados em mundiais).
Mas quando se trata de Brasil, a prosa toma outro rumo. Para nós, é inimaginável uma seleção canarinho vivendo para a defesa, mesmo que ela saia campeã. Foi assim com o Brasil na Copa de 94, onde tudo começava com uma defesa sólida para então se aproveitar a habilidade de Romário e Bebeto na frente, quase que isolados num time de tantos zagueiros e volantes. No final a taça ficou com o Brasil, mas as contestações sobre o futebol apresentado pela aquela equipe duram até hoje (apesar de eu não concordar).
Porém, vale lembrar que o futebol é um dos poucos esportes no mundo em que o empate é permitido. E que quando não é possível vencer, é melhor não perder. Sendo assim, é errado uma equipe num campeonato de pontos corridos, escolher claramente não perder fora de casa e somar um pontinho ao invés de se expor em busca de 3 pontos e acabar sem nenhum? No Brasileirão estamos vendo alguns casos como o de ontem, quando o Vasco empatou com o São Paulo no Morumbi sem ter dado um chute a gol se quer. Ta certo que também não tomou gol, mas ainda assim é de se espantar o total descompromisso com o ataque, tirando um ou outro contra-ataque. Mas por outra análise, o time continua invicto no pós Copa, trouxe um ponto de São Paulo e diminuiu a distância para o G4.
Então qual a verdadeira conclusão que se tira? Se não pode vencer, melhor não perder? Mais vale perder tentando vencer a lutar para empatar? Qualquer que seja a filosofia adotada por cada um a respeito, vale lembrar que defender faz parte do jogo, assim como empatar. O tema prossegue, continua dividindo opiniões e com certeza ainda vai dar muito pano pra manga, mantendo mais uma vez um empate de idéias.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Quem leva o Brasileirão 2010???
No último final de semana, o Campeonato Brasileiro completou sua 15ª rodada e Fluminense e Corinthians já despontam como favoritos ao título. Mesmo com os dois times disparados na ponta, os mais conservadorem ainda dizem que ainda é muito cedo para fazer prognósticos e que ainda faltam 23 rodadas. Mas como assim, cara pálida? Se com 40% do campeonato já completados é muito cedo, quando é que poderemos fazer prognósticos? Na última rodada?
Como sou ansioso e não sou de ficar em cima do muro, resolvi fazer os meus prognósticos. Fiz um exercício de análise do campeonato e simulei todos os resultados até o final do campeonato e acabei obtendo as seguintes posições finais:
Agora lanço um desafio aos meus amigos... Vamos ver no final das contas quem entende mais de futebol por aqui...
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Simplesmente Clássico
Antes de mais nada, antes da bola rolar, o show foi por conta das 2 torcidas que protagonizaram uma festa lindíssima, com camisas, bolas, bandeiras e muitos cantos de incentivo. O Estádio Mário Filho, ontem, voltou a exibir torcedores rivais, e não inimigos, lado a lado; famílias inteiras juntas, crianças, muitas mulheres e lindas mulheres. Foi uma verdadeira celebração do futebol carioca e tudo na maior paz. O Rio de Janeiro já acordou sorrindo, com o azul no céu e as cores de Fluminense e Vasco pelas ruas cariocas.
Com a bola rolando, o que se viu foram dois gigantes do futebol brasileiro num embate de dar frio na barriga de qualquer torcedor. Times muito bem treinados, com ótimos jogadores e em excelentes momentos no campeonato brasileiro.
O Fluminense, líder da competição, detentor de uma campanha até aqui invejável, partiu logo pra cima, apertou o adversário e com menos de 7 minutos de partida, abriu o placar com o zagueiro Gum, depois de um escanteio. Esse foi o primeiro ato de uma emocionante partida que mal havia começado.
O tricolor, embalado pelo gol, continuou apertando e por pouco não aumentou o placar. Contudo um clássico não se faz só com um time, e embalado por sua torcida que sentia o mau momento, o Vasco acordou, começou a tocar a bola com mais velocidade e comandado pelo inspiradíssimo Carlos Alberto chegou ao empate no final do primeiro tempo, depois de uma assistência que só um craque, como o capitão vascaíno, sabe fazer para a conclusão perfeita de Eder Luís.
O segundo tempo começou exatamente como o primeiro, com o Fluminense pressionando e buscando o gol, mas ao contrário da primeira etapa, quem logo marcou foi a equipe cruzmaltina, num contra-ataque puxado pelo seu capitão, que mais uma vez deu uma assistência primorosa para Fagner virar a partida. Pronto, o cenário de batalha estava desenhado, as torcidas inflamaram de vez e os jogadores se entregaram ainda mais. O que se viu a partir daí não foi somente um clássico do futebol carioca, mas um clássico do futebol brasileiro. Ambas as equipes vestiram a camisa, assimilaram o momento e deram aos torcedores uma partida daquelas.
Numa bobeira de Felipe, na metade do segundo tempo, o Flu empatou com Julio Cesar, tornando ainda mais imprevisível o resultado final. Fluminense que ainda apresentou Deco a sua torcida, que além de um gol perdido nos instantes finais, pouco fez. Aliás, final de jogo que assistiu ao ato final do, em minha opinião, melhor jogador da partida, Carlos Alberto, que num lance individual, enfileirou a defesa tricolor e chutou rente a trave do goleiro Fernando Henrique.
No final um 2x2, que deu mais uma prova do belo momento que vive o futebol carioca. Porém mais que um empate, o que se viu na noite de domingo, foi uma apresentação de futebol, uma lição de civilidade entre torcedores, e acima de tudo um espetáculo com todos os ingredientes necessários para um verdadeiro clássico.
Mais uma vez o futebol agradece. E que o futebol carioca continue assim, charmoso, bonito, empolgante e vencedor, mesmo num empate.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico!
O filme parecia o mesmo, já visto tantas vezes antes. O menino sobe das categorias de base, marca gols, se destaca, encanta e em menos de um ano, o jovem talento já está de malas prontas para desfilar seu talento no futebol europeu. A tendência iniciada na década de 80 e que cresceu em progressão geométrica após a instituição da chamada “Lei Pelé”, em 1998, tornou o êxodo de jovens craques cada vez mais freqüente em nosso futebol. Ronaldo, Adriano, Diego, Carlos Alberto, Alexandre Pato... São inúmeros os exemplos de jogadores que mal começaram a se destacar no futebol brasileiro e antes mesmo de completarem 20 anos, já estavam vestindo a camisa de algum grande clube europeu. Na última semana, a novela envolvendo a proposta do Chelsea, da Inglaterra, por Neymar, parecia que seria uma repetição desse mesmo filme... Mas pra surpresa geral, o jovem atleta do Santos recusou a proposta do time londrino...
Neymar, de apenas 18 anos, é o expoente maior de uma geração brilhante que surgiu das categorias de base do Santos. Ousado, habilidoso, dono de uma visão de jogo espetacular e de uma finalização precisa, o menino nascido em Mogi das Cruzes, encantou o Brasil no primeiro semestre de 2010. Ao lado de Paulo Henrique Ganso, André e Wesley, Neymar conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Os Meninos da Vila se tornaram a principal atração de um futebol brasileiro cada vez mais carente de ídolos, e, como não podia deixar de ser, atraíram os ávidos olhares dos grandes clubes do Velho Continente.
Temendo o desmanche do time, e principalmente perder Neymar e Ganso, principais referências da equipe, a diretoria do Santos acabou vendendo Wesley para o Werder Bremen da Alemanha e André para o futebol ucraniano, já vislumbrando a necessidade de aumentar os vencimentos de suas principais estrelas. E não demorou muito para isso acontecer.
O Chelsea, equipe inglesa, cujo dono é o bilhonário russo Roman Abramovich chegou a Santos, disposta a abrir seus cofres para levar Neymar. A proposta de 30 milhões de euros não atingia os 35 milhões estipulados em sua cláusula rescisória, mas o salário de quase 4 milhões de euros anuais era muito maior do que o Santos pagava ao jovem astro. Embora estivesse firme na posição de não vender o craque por um valor inferior a multa rescisória, o presidente do Santos, Luiz Alvaro de Oliveira Ribeiro, sabia que a vontade do atleta seria fundamental para definir seu futuro. O Santos, fez o que pode, mas a nova oferta salarial ainda era bem inferior ao valor oferecido pela equipe inglesa. Cabia a Neymar decidir...
Surpreendendo a todos, principalmente a imprensa inglesa, que já dava como certa a transferência do atacante para o futebol inglês, Neymar decidiu ficar. Sensibilizado pelo esforço da diretoria santista, influenciado pelo apelo de Mano Menezes, técnico da seleção brasileira, e seduzido pela possibilidade de vencer a Libertadores da América, torneio que seu time não vence desde 1963, o craque renovou seu contrato por 5 anos e fez a alegria não só do torcedor do Santos, como de todos aqueles que gostam do bom futebol. É evidente que Neymar não irá cumprir esses 5 anos de contrato, até porque quanto mais se destacar, maior será o assédio dos clubes europeus e ainda mais astronômicos serão os valores oferecidos a ele por seu futebol, mas é confortante saber que poderemos desfrutar de seu talento, pelo menos por mais um ano. O talento de Neymar é a certeza de algo diferente, de algo inusitado, de algo genial, nesse futebol tão robotizado dos dias de hoje.
A torcida que fica é para que essa decisão de Neymar não seja uma exceção entre os jovens talentos que ascendem no futebol brasileiro e que cada vez mais, nós possamos apreciar o talento de nossos craques nos estádios pelo país e não pela televisão... De jogo pela televisão, já basta a seleção brasileira... Ou seria seleção inglesa???
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
América Vermelha

Durante toda a competição e principalmente nos momentos decisivos, o Colorado fez valer seu futebol de toque de bola e pura raça. Nunca, em momento algum, foi abalado por qualquer adversidade momentânea. Um típico time germânico, que se manteve sólido mesmo perante um gol adversário. Entrava em campo pra jogar seu jogo, e o fazia até o fim.
Aos que pensaram que o fim da linha era La Plata, quando perdia por 2x0 para o atual campeão Estudiantes, a resposta veio com o iluminado Giuliano no último minuto de jogo. E assim seguiu sua campanha, contra o São Paulo, após vencer por 1x0 em casa, de novo com a luz de Giuliano, novamente o inabalável Inter se viu em situação complicada ao tomar um gol no início da partida de volta sem, porém, perder a cabeça e a concentração.
Estava desenhado o campeão. Time de um alto poderio técnico, de extrema força de marcação e ainda por cima, de extrema força psicológica. Mas ainda faltava o Chivas, time mexicano que se destacava pela força de seu ataque nos jogos em casa, um obstáculo e tanto para as pretensões gauchas. Que nada, o Inter se impôs no México diante de mais de 40 mil fanáticos torcedores, jogou seu jogo e adivinhem, tomou um gol na única vacilada da zaga. Injusto? Quando se trata de futebol, o Colorado faz a sua justiça. Não demonstrou apatia alguma e na volta do intervalo virou o jogo. E olha quem deixou o dele de novo...Giuliano.
Com uma mão e quatro dedos na taça, até o gremista mais otimista já parabenizava seu rival. Mas esse mesmo secador teve uma pequena esperança ao ver o time de Guadalajara abrir o placar no jogo de volta e terminar o primeiro tempo em vantagem. Só que temos que lembrar bem quem estava do outro lado, o Internacional; que mais uma vez rígido como uma rocha e focado como um felino em sua presa virou o jogo, empurrado por 50 mil colorados literalmente ensandecidos e na base da peleia dos pampas, fez 2x1, com gols de Rafael Sóbis e Leandro Damião. Porém ainda não tinha acabado, nem podia acabar assim. Num lance de habilidade e oportunismo o jogador mais predestinado da Libertadores 2010, passou por dois zagueiros adversários e deixou o dele...Giuliano entrava de vez na história rubra do Rio Grande. No fim o Chivas ainda diminuiu, mas a festa já era do Colorado. O Gigante da Beira Rio ficou pequeno para um mar vermelho de extasiados torcedores. O Internacional, com muito mérito, se tornava bi-campeão da América, se igualando ao Grêmio, seu grande rival.
E quem tem dúvidas de que essa onda vermelha tomará Abu Dhabi!? Sou mais Inter, o do Brasil.


