Bota x Inter (0x1): Valeu a luta do time alvinegro, mas perder pro Inter no Sul é mais do que normal...sem falar que é o atual campeão da Libertadores. Não vi todo o jogo, mas os principais lances, acredito que um empate ficaria de bom tamanho, mas ainda acredito que teremos o Fogão na Libertadores 2011.
Vasco x Cruzeiro (1x1): PC, com todo o respeito, faz que nem um grande vascaíno amigo meu falou e leva o Fernando pra sua casa. Que isso, o cara errou tudo e mais um pouco no jogo de sábado, que, diga-se de passagem, só mostrou mais uma vez que o Gigante da Colina precisa de um homem de referência, ou ao menos um zagueiro que não erre tanto. E pior que no final ele ainda poderia ter saído como herói quase marcando o gol da vitória, mas acabou fazendo o mais esperado...errou. Mas segue a torcida por mais um carioca no G4 ou G6.
Fla x Guarani (1x2): Será que temos mesmo que falar sobre esse jogo? Flamengo tinha tudo pra ganhar, 1x0 no placar, pênalti defendido pelo bom goleiro Marcelo Lomba, diversas chances de ampliar, apesar de quem estar na frente ser o Val Baiano (a saga dos Baianos da Gávea, ou se esqueceram de Fernando Baiano, Jr Baiano, Fabio Baiano) e no final, nos acréscimos, leva 2 gols. Silas, se prepara que o negócio ta feio pelos lados do Urubu...cuidado pra não virar mais uma carniça.
Flu x São Paulo (2x2): Washington, faz o seguinte, pega a bola, vira pro Conca e fala “Bate que eu não sei fazer isso.”. Po cara, todo jogo do Fluminense que eu lembro dele batendo pênalti, ele perde. Foi assim inclusive na final da Libertadores de 2008, mas apesar dos pesares, gosto dele. Fora isso, o tricolor carioca foi superior na partida. Deco e Conca estão cada vez mais entrosados, Belleti foi devidamente sacado e tenho certeza que se o patrocinador das Laranjeiras olhasse um pouquinho melhor pro time, já teria gasto seus milhões em um goleiro...Fernando Henrique não dá! Mas mesmo assim ainda líder.
Craque: Destaque do final de semana de futebol, pelo menos dos jogos que vi: Ronaldinho Gaucho. Jogando solto, exibindo sua técnica de forma objetiva e coletiva, fazendo sua graça pra encantar a torcida, ele comandou a goleada do Milan sobre o Lecce por 4x0 no San Siro. Além disso, deixou os companheiros na cara do gol em diversos lances. Pato agradeceu, meteu 2 gols, o outro brasileiro, Thiago Silva, marcou um e o goleador italiano (não joga nada, mas mete gol) Inzaghi fechou o placar. Ronaldinho Gaucho tem vaga em qualquer time do mundo... Ouviu Mano? Detalhe, Ibrahimovic que assistiu ao jogo das tribunas, certamente já está se vendo artilheiro do Campeonato Italiano com as diversas assistências que receberá de Ronaldinho. Segura o Milan nessa temporada.
Segue o vídeo dos melhores momentos.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Jogador de antigamente?
Volta e meia estou no metrô, correndo na praia, almoçando, vendo um filme, ou fazendo qualquer outra coisa e fico pensando nas coisas mais variadas da vida. Política, música, meu trabalho, as boas do final de semana... São diversos assuntos, mas nenhuma ocupa tanto meu tempo quanto futebol. O futebol está nas minhas veias, é algo tão natural quanto respirar... Não vivo sem futebol... Pode ser a 1ª divisão do Brasileirão, a Premier League, a Lega Cálcio, La Liga, Champions League, Copa do Mundo... Pode até ser a Segundona do Carioca... Preciso de futebol... Vivo futebol...
Quando assisto a uma partida, não sou aquela pessoa que simplesmente observa o jogo, torce e depois dela a vida volta ao normal. Passo horas, as vezes dias refletindo sobre cada detalhe, analisando cada fator, projetando o futuro e muitas vezes voltando ao passado... Nessas últimas semanas, influenciado pela bela seqüência de vitórias do Botafogo no Campeonato Brasileiro, cheguei a um questionamento: Será que ainda existe espaço para jogadores como Lúcio Flávio?
Depois de quase 5 anos ininterruptos, 218 jogos e 63 gols com a camisa do Botafogo, Lúcio Flávio já viveu de tudo em General Severiano. Jogador técnico, dono de um bom passe, ótima visão de jogo e bom poder de fogo de fora e dentro da área, Lúcio caiu nas graças da torcida logo que chegou ao clube. Chamado de maestro, o camisa 10 se tornou uma referência não só dentro de campo como fora dele. Sujeito articulado, de boa índole e um profissional exemplar, Lúcio sempre foi jogador de confiança de todos os treinadores que passaram pelo Botafogo nesse período e o atleta preferido de dirigentes...
Acontece que a relação com a torcida desgastou e parece que a pilha do meia acabou... Embora ainda seja relativamente jovem (31 anos), Lúcio parece a cada dia que passa que tem mais dificuldade de acompanhar o ritmo alucinante do futebol de hoje. Falta espaço em campo para ele organizar as jogadas, falta velocidade para ele puxar os contra-ataques, falta força para fazer uma marcação eficiente na defesa. A torcida não perdoa... O antigo ídolo passou a ser o mais perseguido nos jogos no Engenhão, sendo vaiado antes mesmo da bola rolar em jogos onde ele apenas figura entre os suplentes.
A seqüência de 5 vitórias do atual Botafogo apenas corrobora uma teoria de que talvez não haja mais espaço para jogadores como Lúcio Flávio. Isso porque essa seqüência coincide exatamente com o momento que Lúcio perdeu sua posição no meio de campo para o velocíssimo Maicosuel. Ao lado do endiabrado Jobson, Maicosuel mudou completamente o ritmo do ataque alvinegro, que se tornou muito mais envolvente contra defensores geralmente mais lentos.
Uma vez assisti um debate que tinha como tema se Gérson, o Canhotinha de Ouro conseguiria jogar no futebol de hoje. Gérson jogava como organizador do jogo no meio de campo, por ele passavam quase todas as bolas. Seus lançamentos de até 50 metros eram primorosos, suas cobranças de falta precisas. Foi um dos maiores jogadores de meio de campo da história do futebol brasileiro, mas nunca primou por seu preparo físico, não era um driblador nato nem um jogador veloz. Observando alguns lances do canhota na Copa de 1970, nota-se claramente que ele dispunha de espaço para jogar, que hoje em dia não existe mais.
Não pretendo de maneira alguma comparar Gérson e Lúcio Flávio como jogadores, até porque acho isso totalmente desnecessário. O que para mim é claro, é que Lúcio Flávio segue o mesmo estilo que consagrou o Canhotinha de Ouro, mas ele não tem espaço para jogar em um futebol que cada dia é mais físico. Gérson jogaria hoje? Essa pergunta é impossível de se responder, mas é óbvio que ele precisaria se adaptar ao estilo de jogo dos dias de hoje. Precisaria marcar, precisaria pensar menos antes de executar suas jogadas, precisaria aprender a jogar em um espaço mais escasso de campo. Se ele conseguiria, isso é uma incógnita.
Então cabe a uma última pergunta, e o Lúcio Flávio, jogaria nos anos 50 e 60? Provavelmente não fosse um Didi ou um Gérson, mas certamente seria um jogador de bem mais destaque que nos dias de hoje...
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Vencer ou não Perder, Eis a Questão.

Até que ponto o futebol é a busca pelo gol? Seria errado um time entrar em campo única e exclusivamente para não tomar gols?
É comum, principalmente no Brasil, criticarmos esquemas fechados, retranqueiros, em que o maior objetivo é não sair de campo derrotado. Numa cultura onde a busca pela vitória passa pelo desejo de atacar, o futebol arte e acima de tudo a busca incessante pelo gol, a tática defensiva, privilegiando a marcação, não agrada e ainda levanta muita polêmica.
Mas seria isso errado? Estariam esses times confrontando o que se entende de futebol, e até evidenciando uma espécie de anti-jogo? É um assunto polêmico, mas que vale a pena ser analisado.
Na história do futebol, encontramos diversos times e seleções que venceram se utilizando dessa tática defensiva ao extremo, onde o mais importante era não deixar o adversário chegar a sua meta, independentemente da necessidade de vencer. Destacamos a escola italiana, nada mais nada menos do que 4 vezes campeã mundial, além de ter apresentado ao mundo diversas equipes vencedoras, como Milan, Inter e Juventus, todas sempre caracterizadas pela forte marcação. A escola alemã também tem essa característica, mesmo sendo uma das que mais produziu artilheiros de Copa, como Gerd Müller e Miroslav Klose (ambos com 14 gols marcados em mundiais).
Mas quando se trata de Brasil, a prosa toma outro rumo. Para nós, é inimaginável uma seleção canarinho vivendo para a defesa, mesmo que ela saia campeã. Foi assim com o Brasil na Copa de 94, onde tudo começava com uma defesa sólida para então se aproveitar a habilidade de Romário e Bebeto na frente, quase que isolados num time de tantos zagueiros e volantes. No final a taça ficou com o Brasil, mas as contestações sobre o futebol apresentado pela aquela equipe duram até hoje (apesar de eu não concordar).
Porém, vale lembrar que o futebol é um dos poucos esportes no mundo em que o empate é permitido. E que quando não é possível vencer, é melhor não perder. Sendo assim, é errado uma equipe num campeonato de pontos corridos, escolher claramente não perder fora de casa e somar um pontinho ao invés de se expor em busca de 3 pontos e acabar sem nenhum? No Brasileirão estamos vendo alguns casos como o de ontem, quando o Vasco empatou com o São Paulo no Morumbi sem ter dado um chute a gol se quer. Ta certo que também não tomou gol, mas ainda assim é de se espantar o total descompromisso com o ataque, tirando um ou outro contra-ataque. Mas por outra análise, o time continua invicto no pós Copa, trouxe um ponto de São Paulo e diminuiu a distância para o G4.
Então qual a verdadeira conclusão que se tira? Se não pode vencer, melhor não perder? Mais vale perder tentando vencer a lutar para empatar? Qualquer que seja a filosofia adotada por cada um a respeito, vale lembrar que defender faz parte do jogo, assim como empatar. O tema prossegue, continua dividindo opiniões e com certeza ainda vai dar muito pano pra manga, mantendo mais uma vez um empate de idéias.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Quem leva o Brasileirão 2010???
É impressionante a necessidade que o ser humano tem de tentar adivinhar o futuro... Vivemos sempre em cima de expectativas do que acontecerá amanhã... Será que o Ronaldo voltará a jogar em alto nível? Quem vai levar o US Open, Nadal ou Federer? Quem será o novo presidente da República? Quanto tempo vai demorar até a relação de Felipe Massa e Fernando Alonso na Ferrari azedar de vez? Que filme levará o Oscar em 2011? Quem será o destaque das Olimípiadas de Londres? Quem vai levar a Copa no Brasil, em 2014? Será que algum dia os Rolling Stones se aposentam? Somos ansiosos... Vivemos o presente, mas sempre estamos projetando o futuro, desde as coisas mais insignificantes até as decisões mais importantes que temos que tomar...
No último final de semana, o Campeonato Brasileiro completou sua 15ª rodada e Fluminense e Corinthians já despontam como favoritos ao título. Mesmo com os dois times disparados na ponta, os mais conservadorem ainda dizem que ainda é muito cedo para fazer prognósticos e que ainda faltam 23 rodadas. Mas como assim, cara pálida? Se com 40% do campeonato já completados é muito cedo, quando é que poderemos fazer prognósticos? Na última rodada?
Como sou ansioso e não sou de ficar em cima do muro, resolvi fazer os meus prognósticos. Fiz um exercício de análise do campeonato e simulei todos os resultados até o final do campeonato e acabei obtendo as seguintes posições finais:
Agora lanço um desafio aos meus amigos... Vamos ver no final das contas quem entende mais de futebol por aqui...
No último final de semana, o Campeonato Brasileiro completou sua 15ª rodada e Fluminense e Corinthians já despontam como favoritos ao título. Mesmo com os dois times disparados na ponta, os mais conservadorem ainda dizem que ainda é muito cedo para fazer prognósticos e que ainda faltam 23 rodadas. Mas como assim, cara pálida? Se com 40% do campeonato já completados é muito cedo, quando é que poderemos fazer prognósticos? Na última rodada?
Como sou ansioso e não sou de ficar em cima do muro, resolvi fazer os meus prognósticos. Fiz um exercício de análise do campeonato e simulei todos os resultados até o final do campeonato e acabei obtendo as seguintes posições finais:
Agora lanço um desafio aos meus amigos... Vamos ver no final das contas quem entende mais de futebol por aqui...
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Simplesmente Clássico
Só posso começar esse post com uma palavra: espetacular. È assim que resumo o jogo de ontem entre Vasco e Fluminense num Maracanã com mais de 80 mil privilegiados, onde um desses é o que vos escreve.
Antes de mais nada, antes da bola rolar, o show foi por conta das 2 torcidas que protagonizaram uma festa lindíssima, com camisas, bolas, bandeiras e muitos cantos de incentivo. O Estádio Mário Filho, ontem, voltou a exibir torcedores rivais, e não inimigos, lado a lado; famílias inteiras juntas, crianças, muitas mulheres e lindas mulheres. Foi uma verdadeira celebração do futebol carioca e tudo na maior paz. O Rio de Janeiro já acordou sorrindo, com o azul no céu e as cores de Fluminense e Vasco pelas ruas cariocas.
Com a bola rolando, o que se viu foram dois gigantes do futebol brasileiro num embate de dar frio na barriga de qualquer torcedor. Times muito bem treinados, com ótimos jogadores e em excelentes momentos no campeonato brasileiro.
O Fluminense, líder da competição, detentor de uma campanha até aqui invejável, partiu logo pra cima, apertou o adversário e com menos de 7 minutos de partida, abriu o placar com o zagueiro Gum, depois de um escanteio. Esse foi o primeiro ato de uma emocionante partida que mal havia começado.
O tricolor, embalado pelo gol, continuou apertando e por pouco não aumentou o placar. Contudo um clássico não se faz só com um time, e embalado por sua torcida que sentia o mau momento, o Vasco acordou, começou a tocar a bola com mais velocidade e comandado pelo inspiradíssimo Carlos Alberto chegou ao empate no final do primeiro tempo, depois de uma assistência que só um craque, como o capitão vascaíno, sabe fazer para a conclusão perfeita de Eder Luís.
O segundo tempo começou exatamente como o primeiro, com o Fluminense pressionando e buscando o gol, mas ao contrário da primeira etapa, quem logo marcou foi a equipe cruzmaltina, num contra-ataque puxado pelo seu capitão, que mais uma vez deu uma assistência primorosa para Fagner virar a partida. Pronto, o cenário de batalha estava desenhado, as torcidas inflamaram de vez e os jogadores se entregaram ainda mais. O que se viu a partir daí não foi somente um clássico do futebol carioca, mas um clássico do futebol brasileiro. Ambas as equipes vestiram a camisa, assimilaram o momento e deram aos torcedores uma partida daquelas.
Numa bobeira de Felipe, na metade do segundo tempo, o Flu empatou com Julio Cesar, tornando ainda mais imprevisível o resultado final. Fluminense que ainda apresentou Deco a sua torcida, que além de um gol perdido nos instantes finais, pouco fez. Aliás, final de jogo que assistiu ao ato final do, em minha opinião, melhor jogador da partida, Carlos Alberto, que num lance individual, enfileirou a defesa tricolor e chutou rente a trave do goleiro Fernando Henrique.
No final um 2x2, que deu mais uma prova do belo momento que vive o futebol carioca. Porém mais que um empate, o que se viu na noite de domingo, foi uma apresentação de futebol, uma lição de civilidade entre torcedores, e acima de tudo um espetáculo com todos os ingredientes necessários para um verdadeiro clássico.
Mais uma vez o futebol agradece. E que o futebol carioca continue assim, charmoso, bonito, empolgante e vencedor, mesmo num empate.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico!
O filme parecia o mesmo, já visto tantas vezes antes. O menino sobe das categorias de base, marca gols, se destaca, encanta e em menos de um ano, o jovem talento já está de malas prontas para desfilar seu talento no futebol europeu. A tendência iniciada na década de 80 e que cresceu em progressão geométrica após a instituição da chamada “Lei Pelé”, em 1998, tornou o êxodo de jovens craques cada vez mais freqüente em nosso futebol. Ronaldo, Adriano, Diego, Carlos Alberto, Alexandre Pato... São inúmeros os exemplos de jogadores que mal começaram a se destacar no futebol brasileiro e antes mesmo de completarem 20 anos, já estavam vestindo a camisa de algum grande clube europeu. Na última semana, a novela envolvendo a proposta do Chelsea, da Inglaterra, por Neymar, parecia que seria uma repetição desse mesmo filme... Mas pra surpresa geral, o jovem atleta do Santos recusou a proposta do time londrino...
Neymar, de apenas 18 anos, é o expoente maior de uma geração brilhante que surgiu das categorias de base do Santos. Ousado, habilidoso, dono de uma visão de jogo espetacular e de uma finalização precisa, o menino nascido em Mogi das Cruzes, encantou o Brasil no primeiro semestre de 2010. Ao lado de Paulo Henrique Ganso, André e Wesley, Neymar conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Os Meninos da Vila se tornaram a principal atração de um futebol brasileiro cada vez mais carente de ídolos, e, como não podia deixar de ser, atraíram os ávidos olhares dos grandes clubes do Velho Continente.
Temendo o desmanche do time, e principalmente perder Neymar e Ganso, principais referências da equipe, a diretoria do Santos acabou vendendo Wesley para o Werder Bremen da Alemanha e André para o futebol ucraniano, já vislumbrando a necessidade de aumentar os vencimentos de suas principais estrelas. E não demorou muito para isso acontecer.
O Chelsea, equipe inglesa, cujo dono é o bilhonário russo Roman Abramovich chegou a Santos, disposta a abrir seus cofres para levar Neymar. A proposta de 30 milhões de euros não atingia os 35 milhões estipulados em sua cláusula rescisória, mas o salário de quase 4 milhões de euros anuais era muito maior do que o Santos pagava ao jovem astro. Embora estivesse firme na posição de não vender o craque por um valor inferior a multa rescisória, o presidente do Santos, Luiz Alvaro de Oliveira Ribeiro, sabia que a vontade do atleta seria fundamental para definir seu futuro. O Santos, fez o que pode, mas a nova oferta salarial ainda era bem inferior ao valor oferecido pela equipe inglesa. Cabia a Neymar decidir...
Surpreendendo a todos, principalmente a imprensa inglesa, que já dava como certa a transferência do atacante para o futebol inglês, Neymar decidiu ficar. Sensibilizado pelo esforço da diretoria santista, influenciado pelo apelo de Mano Menezes, técnico da seleção brasileira, e seduzido pela possibilidade de vencer a Libertadores da América, torneio que seu time não vence desde 1963, o craque renovou seu contrato por 5 anos e fez a alegria não só do torcedor do Santos, como de todos aqueles que gostam do bom futebol. É evidente que Neymar não irá cumprir esses 5 anos de contrato, até porque quanto mais se destacar, maior será o assédio dos clubes europeus e ainda mais astronômicos serão os valores oferecidos a ele por seu futebol, mas é confortante saber que poderemos desfrutar de seu talento, pelo menos por mais um ano. O talento de Neymar é a certeza de algo diferente, de algo inusitado, de algo genial, nesse futebol tão robotizado dos dias de hoje.
A torcida que fica é para que essa decisão de Neymar não seja uma exceção entre os jovens talentos que ascendem no futebol brasileiro e que cada vez mais, nós possamos apreciar o talento de nossos craques nos estádios pelo país e não pela televisão... De jogo pela televisão, já basta a seleção brasileira... Ou seria seleção inglesa???
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
América Vermelha

Quando aprendemos sobre a colonização do Brasil na escola e a vinda de imigrantes para tentar uma nova vida em nossa terra, nos é contado que os alemães se instalaram basicamente no sul do país. Pois foi assim, com as disciplina e frieza alemães aliadas a técnica e a garra sul-americana que o Inter se sagrou bi-campeão da Libertadores.
Durante toda a competição e principalmente nos momentos decisivos, o Colorado fez valer seu futebol de toque de bola e pura raça. Nunca, em momento algum, foi abalado por qualquer adversidade momentânea. Um típico time germânico, que se manteve sólido mesmo perante um gol adversário. Entrava em campo pra jogar seu jogo, e o fazia até o fim.
Aos que pensaram que o fim da linha era La Plata, quando perdia por 2x0 para o atual campeão Estudiantes, a resposta veio com o iluminado Giuliano no último minuto de jogo. E assim seguiu sua campanha, contra o São Paulo, após vencer por 1x0 em casa, de novo com a luz de Giuliano, novamente o inabalável Inter se viu em situação complicada ao tomar um gol no início da partida de volta sem, porém, perder a cabeça e a concentração.
Estava desenhado o campeão. Time de um alto poderio técnico, de extrema força de marcação e ainda por cima, de extrema força psicológica. Mas ainda faltava o Chivas, time mexicano que se destacava pela força de seu ataque nos jogos em casa, um obstáculo e tanto para as pretensões gauchas. Que nada, o Inter se impôs no México diante de mais de 40 mil fanáticos torcedores, jogou seu jogo e adivinhem, tomou um gol na única vacilada da zaga. Injusto? Quando se trata de futebol, o Colorado faz a sua justiça. Não demonstrou apatia alguma e na volta do intervalo virou o jogo. E olha quem deixou o dele de novo...Giuliano.
Com uma mão e quatro dedos na taça, até o gremista mais otimista já parabenizava seu rival. Mas esse mesmo secador teve uma pequena esperança ao ver o time de Guadalajara abrir o placar no jogo de volta e terminar o primeiro tempo em vantagem. Só que temos que lembrar bem quem estava do outro lado, o Internacional; que mais uma vez rígido como uma rocha e focado como um felino em sua presa virou o jogo, empurrado por 50 mil colorados literalmente ensandecidos e na base da peleia dos pampas, fez 2x1, com gols de Rafael Sóbis e Leandro Damião. Porém ainda não tinha acabado, nem podia acabar assim. Num lance de habilidade e oportunismo o jogador mais predestinado da Libertadores 2010, passou por dois zagueiros adversários e deixou o dele...Giuliano entrava de vez na história rubra do Rio Grande. No fim o Chivas ainda diminuiu, mas a festa já era do Colorado. O Gigante da Beira Rio ficou pequeno para um mar vermelho de extasiados torcedores. O Internacional, com muito mérito, se tornava bi-campeão da América, se igualando ao Grêmio, seu grande rival.
E quem tem dúvidas de que essa onda vermelha tomará Abu Dhabi!? Sou mais Inter, o do Brasil.
Durante toda a competição e principalmente nos momentos decisivos, o Colorado fez valer seu futebol de toque de bola e pura raça. Nunca, em momento algum, foi abalado por qualquer adversidade momentânea. Um típico time germânico, que se manteve sólido mesmo perante um gol adversário. Entrava em campo pra jogar seu jogo, e o fazia até o fim.
Aos que pensaram que o fim da linha era La Plata, quando perdia por 2x0 para o atual campeão Estudiantes, a resposta veio com o iluminado Giuliano no último minuto de jogo. E assim seguiu sua campanha, contra o São Paulo, após vencer por 1x0 em casa, de novo com a luz de Giuliano, novamente o inabalável Inter se viu em situação complicada ao tomar um gol no início da partida de volta sem, porém, perder a cabeça e a concentração.
Estava desenhado o campeão. Time de um alto poderio técnico, de extrema força de marcação e ainda por cima, de extrema força psicológica. Mas ainda faltava o Chivas, time mexicano que se destacava pela força de seu ataque nos jogos em casa, um obstáculo e tanto para as pretensões gauchas. Que nada, o Inter se impôs no México diante de mais de 40 mil fanáticos torcedores, jogou seu jogo e adivinhem, tomou um gol na única vacilada da zaga. Injusto? Quando se trata de futebol, o Colorado faz a sua justiça. Não demonstrou apatia alguma e na volta do intervalo virou o jogo. E olha quem deixou o dele de novo...Giuliano.
Com uma mão e quatro dedos na taça, até o gremista mais otimista já parabenizava seu rival. Mas esse mesmo secador teve uma pequena esperança ao ver o time de Guadalajara abrir o placar no jogo de volta e terminar o primeiro tempo em vantagem. Só que temos que lembrar bem quem estava do outro lado, o Internacional; que mais uma vez rígido como uma rocha e focado como um felino em sua presa virou o jogo, empurrado por 50 mil colorados literalmente ensandecidos e na base da peleia dos pampas, fez 2x1, com gols de Rafael Sóbis e Leandro Damião. Porém ainda não tinha acabado, nem podia acabar assim. Num lance de habilidade e oportunismo o jogador mais predestinado da Libertadores 2010, passou por dois zagueiros adversários e deixou o dele...Giuliano entrava de vez na história rubra do Rio Grande. No fim o Chivas ainda diminuiu, mas a festa já era do Colorado. O Gigante da Beira Rio ficou pequeno para um mar vermelho de extasiados torcedores. O Internacional, com muito mérito, se tornava bi-campeão da América, se igualando ao Grêmio, seu grande rival.
E quem tem dúvidas de que essa onda vermelha tomará Abu Dhabi!? Sou mais Inter, o do Brasil.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
O Botafogo de Joel e o fim do complexo de vira-lata
No início da década de 1950, após o retumbante fracasso da seleção brasileira na Copa do Mundo do Brasil, o jornalista Nelson Rodrigues criou o termo "complexo de vira-lata" para definir a baixa auto-estima do povo brasileiro. Segundo Rodrigues, o brasileiro se colocava voluntariamente em posição de inferioridade em relação ao resto do mundo, o que contribuía para uma série de fracassos em todos os campos da vida, inclusive no futebol. Fomos campeões em 1958 e de certa forma, pelo menos no futebol, o Brasil deixou de lado esse complexo de inferioridade tão bem identificado pelo escritor pernambucano.
Passado mais de meio século, a seleção brasileira, cinco vezes campeã mundial, se tornou não só a maior vencedora de Copas, como também uma referência aos amantes do esporte bretão e o Brasil passou a ser conhecido como país do futebol. O complexo de vira-lata passa longe dos jogadores que vestem a camisa canarinho, o torcedor é exigente e não aceita nenhum resultado que não sejam as vitórias. Esse complexo porém andou assombrando um tradicional clube de nosso futebol nos últimos anos.
Três anos seguidos vice-campeão carioca (2007/08/09), sempre tendo como algoz o Flamengo, semifinalista de duas Copas do Brasil, boas campanhas durante boa parte dos Campeonatos Brasileiros, mas sempre perdendo gás no final, o Botafogo de Futebol e Regatas refletiu nos últimos anos, de forma límpida, o que Nelson Rodrigues havia definido como característica inerente do brasileiro, há mais de 50 anos. Não sei onde, mas uma vez li que alguém definiu o torcedor botafoguense como “um pessimista a espera de um milgare”. É uma definição perfeita da alma do botafoguense, que de fato acredita que há coisas que só acontecem com o Botafogo, seja para o bem ou para o mal. O botafoguense é neurótico, tem mania de perseguição, não confia em nada nem em ninguém, ele sempre acredita que o pior, não só pode, como de fato irá acontecer... Enfim, o botafoguense é um esquizofrênico no auge de uma crise durante os 90 minutos de cada jogo.
A verdade é que o torcedor botafoguense talvez nem sempre tenha sido assim, só que o sofrimento dos últimos 40 anos o fez assim. Desde o bi da Taça Guanabara e do Carioca de 1967/68, o Botafogo viveu mais de sofrimentos do que de alegrias. Primeiro, foram 21 anos sem conquista alguma. Depois, após de um breve período de sucesso nos primeiros anos da década de 1990, mais sofrimento até a desastrosa campanha que culminou com o rebaixamento em 2002.
Eu, porém, vejo o rebaixamento em 2002, como o início de um momento de resgate do Glorioso. Embora traumática, a experiência na segunda divisão, serviu como o início de uma virada na história do clube. A gestão Bebeto de Freitas, apesar de ter cometido alguns equívocos, teve um papel importante na retomada do clube tanto em aspectos financeiros, de infra-estrutura, como esportivos. O clube voltou a ser respeitado, voltou a disputar títulos e assumiu o papel, antes ocupado pelo Vasco da Gama, de grande rival do Flamengo. Mas ainda faltava um algo a mais, faltava expurgar do clube esse complexo de inferioridade que fazia com que o clube (desde os jogadores até sues torcedores) tivesse um certo medo de vencer, de ser campeão, de ser feliz.
Até a fatídica derrota por 6 a 0 para o Vasco pela terceira rodada do Carioca 2010 não sabíamos o que faltava para o Botafogo dar esse passo a frente, rumo a felicidade. No dia seguinte, entretanto, obtivemos a resposta. O que faltava era Joel Natalino Santana. Mas o que o simpaticíssimo Joel tem, que Cuca ou Ney Franco não tinham? Seria Seu Natalino o novo Rinus Michels? 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, 3-4-3, 4-3-1-2, 4-2-3-1, qual seria o esquema revolucionário que Joel montou para mudar tudo isso?
A resposta é muito simples: Joel não só entende muito de futebol, como confia no seu trabalho e sabe transmitir essa confiança. Em bom português, Joel é bom, sabe que é bom e consegue que os jogadores confiem nisso. Sem nenhum “invencionismo” tático, o treinador sabe como poucos falar a língua dos jogadores, sabe extrair o que cada jogador tem de melhor, sabe armar uma equipe de acordo com as características de seus atletas.
Joel, que muitas vezes foi ridicularizado e estigmatizado por parte da imprensa em função do seu jeitão folclórico, é um dos treinadores mais vencedores da história do futebol brasileiro. Seu currículo é incontestável e é o único treinador a ter conquistado títulos pelos quatro grandes clubes do Rio. Sabe como poucos vencer e não tem o menor medo de ser campeão. Cuca e Ney Franco são ótimos treinadores, entendem muito de futebol, mas não conseguiram vender a idéia de time campeão aos seus jogadores. Joel, mesmo com um time mais limitado que as equipes do “tri-vice”, conseguiu fazer com que todos no clube comprassem a idéia de que era possível vencer qualquer um. Dirigentes, jogadores e torcida se uniram em torno desse ideal e jogaram pra escanteio aquele complexo de vira-lata que há tanto atormentava o clube.
Campeão carioca incontestável, tendo conquistado os dois turnos e eliminando Vasco, Fluminense e Flamengo (esse duas vezes), o Botafogo comandado por Joel, depois de ter patinado durante o início do Brasileirão, começa a demonstrar que também pode ser feliz na competição nacional. Depois de emplacar 3 vitórias consecutivas, a equipe já está no G4 e embora ainda esteja muito longe do líder Fluminense, começa a mostrar força para ao menos lutar pela vaga na Libertadores 2011. Joel acredita, os jogadores, acreditam, a torcida acredita... Será possível? Eu não duvido...
Rio Sorri

O futebol carioca parece mesmo viver seus dias de redenção. Não só vimos nessa rodada a vitórias de seus quatro representantes como também vimos a afirmação do Fluminense como líder disparado do campeonato. Também pudera, com um elenco forte e numeroso, e um técnico top do futebol brasileiro, que acima de tudo valoriza o trabalho, não é de se espantar que o tricolor carioca galga cada vez mais seu lugar no posto de grande favorito ao título brasileiro. Sua torcida já abraçou o time a exemplo da milagrosa volta por cima do ano passado e mais uma vez lotou o Maracanã numa linda festa que foi coroada com um incontestável 3x0 sobre o Inter. OK, os gaúchos não vieram completos, mas sem dúvida ainda assim são fortes; e me arrisco a dizer que perderiam até com o time que está com uma mão na Taça da Libertadores.
Outro que subiu bastante foi o Botafogo de Joel. Criticado por só conseguir ganhar título estadual, Joel Santana mostra a cada rodada que tem o time alvinegro nas mãos. No jogo de sábado, diante do lanterninha Atlético-GO, o que se viu em campo foi um time taticamente disciplinado, com um meio-campo brigador (destaco a entrada de Somália no lugar de Lucio Flavio) e com um atacante inspiradíssimo como Jobson. Se não fosse a apatia do primeiro tempo e os gols perdidos no segundo, o Botafogo poderia ter saído de Goiânia com um resultado mais largo alem dos 2x0.
No mesmo dia o Flamengo, tão criticado pela falta de atacantes, mas a meu ver ainda com uma base forte do ano passado, fez valer seu mando de campo, e sob olhares desconfiados garantiu 3 pontos ao passar pelo Ceará no Maracanã. Aliás, Ceará que parece não meter mais medo em ninguém após a saída de PC Gusmão. Confesso que não vi esse jogo, só alguns lances, mas em campeonato de pontos corridos é obrigatório um time ganhar em casa por qualquer que seja o placar, se quiser alcançar o topo da tabela.
Por falar em PC Gusmão, ele continua sendo o único invicto do Campeonato Brasileiro, e com todos os méritos. Primeiro levou o modestíssimo Ceará ao segundo lugar antes da Copa, no intervalo, assumiu um Vasco completamente abatido e desorganizado, que com sua chegada já soma 4 vitórias e 3 empates. No jogo diante do Grêmio Prudente, o time da Colina conquistou sua primeira vitória fora de casa por 2x1, e se não fossem os vários chutes com destino às estrelas dos vascaínos (concordo que o gramado de várzea do Prudentão ajudou) o placar poderia ter sido mais folgado. Mas o destaque vai mesmo para a defesa (outrora culpada pelos fracassos), que com o gol levado no jogo, soma somente 3 gols sofridos na era PC, ou seja, outro time.
Ao final dessa rodada, temos os 4 cariocas entre os 9 primeiros colocados. Eu nem lembro quando vi isso pela última vez, mas confesso que é animador ver o futebol carioca no seu lugar de merecimento. Vamos ver se o caminho segue sendo esse, se as lições são aprendidas e se os “se’s” deixam de existir no tão conturbado mas sempre romântico futebol carioca.
Outro que subiu bastante foi o Botafogo de Joel. Criticado por só conseguir ganhar título estadual, Joel Santana mostra a cada rodada que tem o time alvinegro nas mãos. No jogo de sábado, diante do lanterninha Atlético-GO, o que se viu em campo foi um time taticamente disciplinado, com um meio-campo brigador (destaco a entrada de Somália no lugar de Lucio Flavio) e com um atacante inspiradíssimo como Jobson. Se não fosse a apatia do primeiro tempo e os gols perdidos no segundo, o Botafogo poderia ter saído de Goiânia com um resultado mais largo alem dos 2x0.
No mesmo dia o Flamengo, tão criticado pela falta de atacantes, mas a meu ver ainda com uma base forte do ano passado, fez valer seu mando de campo, e sob olhares desconfiados garantiu 3 pontos ao passar pelo Ceará no Maracanã. Aliás, Ceará que parece não meter mais medo em ninguém após a saída de PC Gusmão. Confesso que não vi esse jogo, só alguns lances, mas em campeonato de pontos corridos é obrigatório um time ganhar em casa por qualquer que seja o placar, se quiser alcançar o topo da tabela.
Por falar em PC Gusmão, ele continua sendo o único invicto do Campeonato Brasileiro, e com todos os méritos. Primeiro levou o modestíssimo Ceará ao segundo lugar antes da Copa, no intervalo, assumiu um Vasco completamente abatido e desorganizado, que com sua chegada já soma 4 vitórias e 3 empates. No jogo diante do Grêmio Prudente, o time da Colina conquistou sua primeira vitória fora de casa por 2x1, e se não fossem os vários chutes com destino às estrelas dos vascaínos (concordo que o gramado de várzea do Prudentão ajudou) o placar poderia ter sido mais folgado. Mas o destaque vai mesmo para a defesa (outrora culpada pelos fracassos), que com o gol levado no jogo, soma somente 3 gols sofridos na era PC, ou seja, outro time.
Ao final dessa rodada, temos os 4 cariocas entre os 9 primeiros colocados. Eu nem lembro quando vi isso pela última vez, mas confesso que é animador ver o futebol carioca no seu lugar de merecimento. Vamos ver se o caminho segue sendo esse, se as lições são aprendidas e se os “se’s” deixam de existir no tão conturbado mas sempre romântico futebol carioca.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Dunga e a imprensa
Nos últimos quatro anos, enquanto Dunga comandou a seleção brasileira, as entrevistas coletivas do treinador foram marcadas quase sempre pelo clima de guerra entre o capitão do tetra e os repórteres. Sempre desprovido de controle emocional e munido com um amplo repertório de respostas atravessadas ou com um toque nada sutil de ironia, cada entrevista de Dunga era um verdadeiro festival de grosserias, que demonstravam falta de educação e de respeito não só com os profissionais de imprensa, como com o próprio torcedor brasileiro.
O fato é que, mesmo diante do comportamento totalmente inadequado do ex-treinador da seleção, os resultados conquistados durante os anos que antecederam a Copa, de certa forma o blindaram de maiores contestações. Agarrado a um conceito de coerência muito peculiar, formada por jogadores nos quais Dunga mantinha uma relação de cumplicidade, a seleção venceu a Copa América, a Copa das Confederações e obteve a classificação para a Copa do Mundo com algumas rodadas de antecipação.
Mesmo após a polêmica convocação da seleção que iria defender as cores do país na África do Sul, quando o técnico deixou de fora Ronaldinho Gaúcho, duas vezes melhor do mundo e os meninos da Vila, Neymar e Paulo Henrique Ganso, e convocando jogadores contestados como Kléberson, Júlio Baptista e Grafite, a maior parte da crítica especializada ainda mantinha um discurso moderado. Porém, à medida que Dunga confrontava a imprensa, fechando os treinamentos da seleção, dificultando o acesso aos atletas e tendo um comportamento cada vez mais intempestivo durante a Copa, ficou claro que qualquer resultado negativo entornaria o caldo e sua situação ficaria insustentável. Veio a eliminação nas quartas diante da Holanda, e com ela a hora da forra...
O que era até então aceito como coerente, futebol de resultado e comprometimento, virou intolerância, inflexibilidade, futebol robótico, falta de personalidade... Os críticos que antes se viam obrigados a “engolir” o treinador, partiram para um pesado contra-ataque. Como foi em 1990, Dunga foi escolhido como o vilão (dessa vez com muito mais razão) e o futebol-arte, a vítima. Tudo aquilo que vinha sendo guardado durante quatro anos, foi despejado no melhor estilo metralhadora giratória. Não houve perdão...
Por favor, não me entendam mal. Não quero defender Dunga das críticas, pois é evidente ele teve o destino que mereceu, assim como não quero generalizar a imprensa... Posso citar uma centena de jornalistas sensatos e com posição independente que nunca se encolheram perante o então treinador da seleção enquanto estava por cima, assim como não resolveram espezinhá-lo após o fracasso na Copa. Lédio Carmona, Juca Kfouri, Paulo Vinícius Coelho, José Trajano, Milton Leite, Caio Ribeiro e muitos outros que agora não me vem na cabeça.
O que na verdade me abisma é como há pessoas que, seja por interesse, seja por covardia, agem de acordo com a maré. Jornalistas que de alguma forma, até três meses atrás, consideravam positivo o trabalho de Dunga a frente da seleção, e que agora com a maior tranqüilidade do mundo criticam todo o seu trabalho de maneira pesadíssima. Enfim, felizmente vivemos em uma sociedade onde existe total liberdade de expressão, mas a imprensa deve ter consciência da responsabilidade que esse poder nos concede. Parafraseando Ben Parker, tio de Peter Parker (para os que não sabem essa é a identidade secreta do Homem-Aranha), no momento em que agonizava em uma calçada de Nova York: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
De volta para o futuro
E o Brasil do Mano, hein!? Quem diria que Paulo Henrique Ganso e Neymar poderiam dar show de bola!? Bem, na verdade todo mundo disse, pediu, alguns até imploraram, mas no final...o final todo mundo já sabe.
Presenciamos ontem, em terras do Tio Sam, uma bela exibição de um time abusado, sem medo de errar; nervoso sim, pela estréia, mas não estressado, como em oportunidades em que ao invés do futebol, o que vimos foi o ódio pelo adversário. Não foi uma partida épica, tampouco de gala, mas foi a primeira vez em quatro anos que vimos comprometimento (palavra da moda no futebol brasileiro). Sim, isso mesmo, comprometimento com nossas raízes futebolísticas, com o prazer de jogar bola e acima de tudo, com quem gosta de futebol.
Como o próprio Mano Menezes disse em sua preleção transmitida aos veículos de comunicação (sim, ela foi aberta a imprensa): “A galinha contribui para o omelete, o porco faz parte dele.”; nossa seleção fez parte do futebol, entrou em campo pra isso, e não para impedi-lo. E o melhor, não tomou gol, não teve expulsão, nem vimos nossos jogadores gritarem de raiva, foi apenas futebol.
Podemos tirar conclusões tão óbvias, que pareciam esquecidas no cenário que se criou antes da Copa, como a de que meio-campo é lugar pra quem sabe bater e não jogar bola. Lucas e Ramires são exemplo disso, pouco apareceram na marcação, pois a faziam de maneira simples e competente, e quando estavam com a bola no pé, a tratavam com o devido respeito. E quanto ao fato de jogar com 3 atacantes. Isso então era impossível de se imaginar num time que não estava perdendo, pois bem, quando se tem um time que gosta de fazer gols, jogar pra frente, o que se deve fazer é seguir o que nosso novo técnico diz: ser protagonista.
Um sopro de liberdade pairou sobre o futebol brasileiro na noite dessa terça-feira, 10 de agosto de 2010. Estamos nos libertando do obtuso, do piegas, do futebol guerra. Nosso futuro se aproxima do glorioso passado, as vésperas de importantes competições realizadas em solo tupiniquim. Que venham novos ares e a volta do futebol moleque, irreverente, do futebol brasileiro. Seja muito bem vindo de volta Brasil!
Presenciamos ontem, em terras do Tio Sam, uma bela exibição de um time abusado, sem medo de errar; nervoso sim, pela estréia, mas não estressado, como em oportunidades em que ao invés do futebol, o que vimos foi o ódio pelo adversário. Não foi uma partida épica, tampouco de gala, mas foi a primeira vez em quatro anos que vimos comprometimento (palavra da moda no futebol brasileiro). Sim, isso mesmo, comprometimento com nossas raízes futebolísticas, com o prazer de jogar bola e acima de tudo, com quem gosta de futebol.
Como o próprio Mano Menezes disse em sua preleção transmitida aos veículos de comunicação (sim, ela foi aberta a imprensa): “A galinha contribui para o omelete, o porco faz parte dele.”; nossa seleção fez parte do futebol, entrou em campo pra isso, e não para impedi-lo. E o melhor, não tomou gol, não teve expulsão, nem vimos nossos jogadores gritarem de raiva, foi apenas futebol.
Podemos tirar conclusões tão óbvias, que pareciam esquecidas no cenário que se criou antes da Copa, como a de que meio-campo é lugar pra quem sabe bater e não jogar bola. Lucas e Ramires são exemplo disso, pouco apareceram na marcação, pois a faziam de maneira simples e competente, e quando estavam com a bola no pé, a tratavam com o devido respeito. E quanto ao fato de jogar com 3 atacantes. Isso então era impossível de se imaginar num time que não estava perdendo, pois bem, quando se tem um time que gosta de fazer gols, jogar pra frente, o que se deve fazer é seguir o que nosso novo técnico diz: ser protagonista.
Um sopro de liberdade pairou sobre o futebol brasileiro na noite dessa terça-feira, 10 de agosto de 2010. Estamos nos libertando do obtuso, do piegas, do futebol guerra. Nosso futuro se aproxima do glorioso passado, as vésperas de importantes competições realizadas em solo tupiniquim. Que venham novos ares e a volta do futebol moleque, irreverente, do futebol brasileiro. Seja muito bem vindo de volta Brasil!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Renovação!
Dificil... Essa palavra define o sentimento que tive para definir o tema do primeiro post deste novo blog... Fazer uma apresentação sobre o blog, falar sobre o Brasileirão 2010, sobre o caso Elisa Samúdio, sobre o Mundial de Formula 1, sobre a Playboy da Cléo Pires, sobre a disputa eleitoral que se aproxima. Confesso que fiquei horas refletindo. Resolvi escolher um tema que tem efetivamente a ver com a nossa proposta nesse blog: Renovação!
Desde a precoce eliminação do scratch canarinho na Copa da África do Sul, renovação parece ser apalavra de ordem no futebol brasileiro. Assim como nós, que aqui nesse espaço pretendemos trazer um sopro de novidade as tradicionais análises do futebol, principalmente do futebol carioca, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira definiu como principal o conceito de renovação diretriz na seleção brasileira nos próximos anos.
É nessa conjuntura que o gaúcho Mano Menezes, treinador competentíssimo, hoje inicia sua caminhada como treinador da seleção, diante da perigosa seleção dos Estados Unidos, no moderníssimo New Meadowlands, Nova Jersey. O resultado dessa amistoso é completamente irrelevante. O que importa na verdade é que Mano, terceira opção de Teixeira (Luis Felipe Scolari, técnico do Palmeiras e Muricy Ramalho, treinador do Fluminense, rejeitaram o convite), embora jovem e com um currículo mais modesto que seus principais concorrentes, já mostrou ser um treinador capaz de conduzir essa renovação da seleção, tendo em vista os Jogos Olímpicos de Londres (2012), a Copa do Mundo do Brasil (2014) e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016). Os excelentes trabalhos de Mano no modesto XV de Novembro de Campo Bom, semifinalista da Copa do Brasil de 2004, no Grêmio, bicampeão gaúcho (2005/06), campeão da Série B (2005) e vice-campeão da Libertadores em 2007, além do seu último trabalho no Corinthians, onde conquistou a Série B (2008), o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil de 2009, credenciam ele como um dos melhores treinadores do futebol brasileiro nos últimos anos.
Já ficou claro na primeira convocação, com apenas 4 jogadores que participaram da fracassada campanha nos gramados sul-africanos e com a convocação dos badaladíssimos meninos da Vila, que o novo treinador, entendeu diretinho o recado do seu chefe. A partir de agora, vamos ver muitas caras novas vestindo a amarelinha. Até aí, tudo bem... O que não combina com esse cenário de renovação, é na verdade o próprio nome do presidente da CBF.
Ricardo Teixeira que hoje acumula além do comando da CBF, a presidência do Comitê Organizador da Copa de 2014, já está no comando do entidade há mais de 20 anos. Sua gestão marcada por muitos títulos, inclusive dois mundiais, além de inúmeras Copas Américas, Copas das Confederações e torneios de categorias de base, é também marcada por uma série de escândalos. O comandante máximo da seleção de futebol mais popular de todo o mundo, chegou a ter que prestar esclarecimentos em mais de uma CPI, sobre transações financeiras de origem duvidosa na entidade, mas sempre conseguiu sair ileso de tais acusações. Embora tenha um pelotão de desafetos, principalmente em parte da imprensa, o outrora genro do ex-presidente da FIFA, João Havelange, é mestre na arte de se relacionar com as pessoas certas. Mantém boa parte da imprensa dos principais meios de comunicação formadores de opinião ao seu lado, além de ainda ser apoiado pela maioria dos dirigentes dos principais clubes do país, mas seu principal trunfo é seu relacionamento íntimo com os principais cartolas da FIFA, fato do qual ele se utiliza muito bem. Dessa forma, o mandatário da CBF, pouco questionado pelo grande público é eleito com facilidade eleição após eleição e está garantido no comando do futebol brasileiro até a Copa de 2014, ano que completa um quarto de século a frente da entidade. É tido como canditato forte a presidência da FIFA após o próximo mundial.
A verdade é que hoje, inicia-se uma nova era para a seleção brasileira. Novo técnico, novos jogadores, novas idéias... Isso por si só já é motivo suficiente para ligar a televisão e acompanhar o embate. Até porque pelo menos em campo, vamos ver um pouco da tão falada renovação... Porque fora dele, tudo continua do mesmo jeito...
Desde a precoce eliminação do scratch canarinho na Copa da África do Sul, renovação parece ser apalavra de ordem no futebol brasileiro. Assim como nós, que aqui nesse espaço pretendemos trazer um sopro de novidade as tradicionais análises do futebol, principalmente do futebol carioca, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira definiu como principal o conceito de renovação diretriz na seleção brasileira nos próximos anos.
É nessa conjuntura que o gaúcho Mano Menezes, treinador competentíssimo, hoje inicia sua caminhada como treinador da seleção, diante da perigosa seleção dos Estados Unidos, no moderníssimo New Meadowlands, Nova Jersey. O resultado dessa amistoso é completamente irrelevante. O que importa na verdade é que Mano, terceira opção de Teixeira (Luis Felipe Scolari, técnico do Palmeiras e Muricy Ramalho, treinador do Fluminense, rejeitaram o convite), embora jovem e com um currículo mais modesto que seus principais concorrentes, já mostrou ser um treinador capaz de conduzir essa renovação da seleção, tendo em vista os Jogos Olímpicos de Londres (2012), a Copa do Mundo do Brasil (2014) e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016). Os excelentes trabalhos de Mano no modesto XV de Novembro de Campo Bom, semifinalista da Copa do Brasil de 2004, no Grêmio, bicampeão gaúcho (2005/06), campeão da Série B (2005) e vice-campeão da Libertadores em 2007, além do seu último trabalho no Corinthians, onde conquistou a Série B (2008), o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil de 2009, credenciam ele como um dos melhores treinadores do futebol brasileiro nos últimos anos.
Já ficou claro na primeira convocação, com apenas 4 jogadores que participaram da fracassada campanha nos gramados sul-africanos e com a convocação dos badaladíssimos meninos da Vila, que o novo treinador, entendeu diretinho o recado do seu chefe. A partir de agora, vamos ver muitas caras novas vestindo a amarelinha. Até aí, tudo bem... O que não combina com esse cenário de renovação, é na verdade o próprio nome do presidente da CBF.
Ricardo Teixeira que hoje acumula além do comando da CBF, a presidência do Comitê Organizador da Copa de 2014, já está no comando do entidade há mais de 20 anos. Sua gestão marcada por muitos títulos, inclusive dois mundiais, além de inúmeras Copas Américas, Copas das Confederações e torneios de categorias de base, é também marcada por uma série de escândalos. O comandante máximo da seleção de futebol mais popular de todo o mundo, chegou a ter que prestar esclarecimentos em mais de uma CPI, sobre transações financeiras de origem duvidosa na entidade, mas sempre conseguiu sair ileso de tais acusações. Embora tenha um pelotão de desafetos, principalmente em parte da imprensa, o outrora genro do ex-presidente da FIFA, João Havelange, é mestre na arte de se relacionar com as pessoas certas. Mantém boa parte da imprensa dos principais meios de comunicação formadores de opinião ao seu lado, além de ainda ser apoiado pela maioria dos dirigentes dos principais clubes do país, mas seu principal trunfo é seu relacionamento íntimo com os principais cartolas da FIFA, fato do qual ele se utiliza muito bem. Dessa forma, o mandatário da CBF, pouco questionado pelo grande público é eleito com facilidade eleição após eleição e está garantido no comando do futebol brasileiro até a Copa de 2014, ano que completa um quarto de século a frente da entidade. É tido como canditato forte a presidência da FIFA após o próximo mundial.
A verdade é que hoje, inicia-se uma nova era para a seleção brasileira. Novo técnico, novos jogadores, novas idéias... Isso por si só já é motivo suficiente para ligar a televisão e acompanhar o embate. Até porque pelo menos em campo, vamos ver um pouco da tão falada renovação... Porque fora dele, tudo continua do mesmo jeito...
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