sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico!


O filme parecia o mesmo, já visto tantas vezes antes. O menino sobe das categorias de base, marca gols, se destaca, encanta e em menos de um ano, o jovem talento já está de malas prontas para desfilar seu talento no futebol europeu. A tendência iniciada na década de 80 e que cresceu em progressão geométrica após a instituição da chamada “Lei Pelé”, em 1998, tornou o êxodo de jovens craques cada vez mais freqüente em nosso futebol. Ronaldo, Adriano, Diego, Carlos Alberto, Alexandre Pato... São inúmeros os exemplos de jogadores que mal começaram a se destacar no futebol brasileiro e antes mesmo de completarem 20 anos, já estavam vestindo a camisa de algum grande clube europeu. Na última semana, a novela envolvendo a proposta do Chelsea, da Inglaterra, por Neymar, parecia que seria uma repetição desse mesmo filme... Mas pra surpresa geral, o jovem atleta do Santos recusou a proposta do time londrino...

Neymar, de apenas 18 anos, é o expoente maior de uma geração brilhante que surgiu das categorias de base do Santos. Ousado, habilidoso, dono de uma visão de jogo espetacular e de uma finalização precisa, o menino nascido em Mogi das Cruzes, encantou o Brasil no primeiro semestre de 2010. Ao lado de Paulo Henrique Ganso, André e Wesley, Neymar conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Os Meninos da Vila se tornaram a principal atração de um futebol brasileiro cada vez mais carente de ídolos, e, como não podia deixar de ser, atraíram os ávidos olhares dos grandes clubes do Velho Continente.

Temendo o desmanche do time, e principalmente perder Neymar e Ganso, principais referências da equipe, a diretoria do Santos acabou vendendo Wesley para o Werder Bremen da Alemanha e André para o futebol ucraniano, já vislumbrando a necessidade de aumentar os vencimentos de suas principais estrelas. E não demorou muito para isso acontecer.

O Chelsea, equipe inglesa, cujo dono é o bilhonário russo Roman Abramovich chegou a Santos, disposta a abrir seus cofres para levar Neymar. A proposta de 30 milhões de euros não atingia os 35 milhões estipulados em sua cláusula rescisória, mas o salário de quase 4 milhões de euros anuais era muito maior do que o Santos pagava ao jovem astro. Embora estivesse firme na posição de não vender o craque por um valor inferior a multa rescisória, o presidente do Santos, Luiz Alvaro de Oliveira Ribeiro, sabia que a vontade do atleta seria fundamental para definir seu futuro. O Santos, fez o que pode, mas a nova oferta salarial ainda era bem inferior ao valor oferecido pela equipe inglesa. Cabia a Neymar decidir...

Surpreendendo a todos, principalmente a imprensa inglesa, que já dava como certa a transferência do atacante para o futebol inglês, Neymar decidiu ficar. Sensibilizado pelo esforço da diretoria santista, influenciado pelo apelo de Mano Menezes, técnico da seleção brasileira, e seduzido pela possibilidade de vencer a Libertadores da América, torneio que seu time não vence desde 1963, o craque renovou seu contrato por 5 anos e fez a alegria não só do torcedor do Santos, como de todos aqueles que gostam do bom futebol. É evidente que Neymar não irá cumprir esses 5 anos de contrato, até porque quanto mais se destacar, maior será o assédio dos clubes europeus e ainda mais astronômicos serão os valores oferecidos a ele por seu futebol, mas é confortante saber que poderemos desfrutar de seu talento, pelo menos por mais um ano. O talento de Neymar é a certeza de algo diferente, de algo inusitado, de algo genial, nesse futebol tão robotizado dos dias de hoje.

A torcida que fica é para que essa decisão de Neymar não seja uma exceção entre os jovens talentos que ascendem no futebol brasileiro e que cada vez mais, nós possamos apreciar o talento de nossos craques nos estádios pelo país e não pela televisão... De jogo pela televisão, já basta a seleção brasileira... Ou seria seleção inglesa???

4 comentários:

  1. Na nova conjuntura econômica, o futebol brasileiro pode sim segurar seus craques por mais tempo. Temos exemplos de projetos bem dimensionados e executados, onde a marca do clube é explorada com sucesso para pagamento de salários.
    Temo um consumidor muito forte e fiel, que é o torcedor.
    Mais uma vez podemos ver que quando o profissionalismo entra em campo, todos ganhamos.

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  2. Bom, pelo menos estamos conseguindo, durante um período de tempo, segurar gente boa aqui no futebol brasileiro... Os ainda bons "dinossauros" de outrora que estão retornando em fim de carreira e essa molecada que está surgindo agora (e deixando esperançoso o povo em relação à seleção - vide a grande quantidade de "brasileiros" convocados pelo Mano). É isso aí, dá-lhe Blog do Bellini!!

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  3. Tomara que isso aconteça de uma maneira geral pelos clubes no Brasil... saudade da época que rolava uma identificação de um jogador com o clube_e sua torcida_ durante um período longo.
    Chega de exportar nossos craques pra esses gringos arrogantes! Sou muito mais o campeonato brasileiro do que torneio lá de fora, quero ver craque jogando aqui!

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  4. O "Dia do Fico" foi uma invenção do José Bonifácio para "acalmar" a esquerda armada e forjar uma independência combinada com a elite dominante, o que nos rendeu praticamente 200 anos de dependência do capital estrangeiro (inglês no começo, mas depois até russo botou o dedo aqui...). Lamentável.

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